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Estamos sempre a tempo de Flo(rir)

Desenvolvimento Pessoal & Educação

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02
Mar21

A Arte de Perguntar

Educação

Será que a mudança começa em cada um de nós?

Será que se os adultos mudarem algo no modo como lidam com as crianças e jovens, as crianças e os jovens mudam?

Será que ter BOAS CONVERSAS, que levam a criança/jovem a pensar e a descobrir mais sobre si, sobre os outros e sobre o mundo, pode abrir novos campos de realização e satisfação familiar e escolar?

Os pais e os professores precisam, cada vez mais, alterar a sua postura – passar de “Mestre” a “Coach”, não dando respostas prontas mas questionando as situações para colocarem os pequenos a pensar e a encontrarem as suas próprias respostas.

Como iniciar uma boa conversa? Com PERGUNTAS. Boas perguntas. Perguntas que induzam a REFLEXÃO, a DECISÃO e a AÇÃO.

Boas perguntas acolhem a criança/jovem e abrem um espaço emocional interno de autoescuta, sem pré-julgamentos, incentivando a criança a exprimir o seu ponto de vista ou sentimentos não desvendados.

Para tal, será essencial não partir de pressupostos e preconceitos que ativem a nossa arrogância de adulto, sempre prontos a presumir e a julgar antes de perguntar ou escutar. Uma boa conversa começa com uma simples pergunta: “Conta-me mais sobre isso …”, “Para eu entender, o que poderia ser isso para ti?”

Boas perguntas são isentas, imparciais e por isso não devem ser feitas quando estamos emocionalmente alterados. Boas conversas acontecem quando estamos em equilíbrio e centrados no firme propósito de levar a criança a pensar e a descobrir mais sobre si. E isso não se compadece com pressas e impaciências, faltas de tempo e sequestros emocionais.

Exemplos de perguntas pouco eficazes:

  • Os brinquedos nasceram aqui na sala?
  • Vais arrumar isso agora ou não?
  • Vais chegar outra vez atrasado à escola?
  • Ainda não percebeste que quem não lava os dentes fica com dor de dentes e tem de ir ao dentista?

Exemplos de BOAS PERGUNTAS:

  • Onde podes arrumar os brinquedos, para que amanhã saibas onde estão e possas brincar muito com eles, outra vez?
  • Se pudesses encontrar um modo de estares pronto antes da hora, como seria?
  • Como podes fazer para que a tua boca fique bem fresca e agradável?

Para as boas perguntas serem eficazes, é necessário que o adulto esteja muito presente e concentrado nas palavras que profere, para que consiga efetivamente ajudar a criança/jovem a sair do ciclo vicioso de autoproteção em que se encontra.

Perguntas com PORQUÊS não costumam funcionar, pois não? Este tipo de preposição leva à racionalização automática e leva a criança /jovem a contar um rol de explicações e justificações sobre o seu comportamento, não encontrando o caminho da solução.

Para ajudar a criança/jovem a sair do recorrente estado de “não sei”, de “queixa/culpados” ou do “contra”, a linguagem não deve ser usada no presente de forma direta, perguntando como é, o que quer ou o que sente … porque aí será mais provável que a resposta seja defensiva: “não sei”, “nada”, “não gosto”, “não…“.

Ajudar a criança/jovem a abrir-se com confiança, segurança e tranquilidade exige do adulto a consciência de que as palavras e o tempo verbal certo da linguagem usada irão ajudar a criança/jovem a encontrar um novo padrão de POSSIBILIDADE. Para tal, perguntas no condicional, perguntando “COMO SERIA SE …”, irão facilitar a verbalização dos seus desejos, pois sente que existe, da parte do adulto, um acolhimento e um verdadeiro interesse em a/o escutar.

 As crianças não estão, normalmente, habituadas a verbalizar os seus desejos e sentimentos mais genuínos e profundos. Nós, adultos, habituámo-las a verbalizarem o que queremos ouvir, por isso, mudar o padrão, carece de algum tempo e paciência. Exemplos: “Entendi que tu não sabes como poderíamos resolver esta situação, mas se existisse uma forma de encontrar uma solução, qual seria?”, “Entendi que não sabes, e não tem qualquer problema não saberes. Existe alguma coisa que eu possa fazer para te ajudar a descobrir?”.

Abrir caminho para uma boa conversa implica sempre acolher as afirmações da criança: “Entendi que me estas a dizer que não é verdade. De acordo com o teu ponto de vista, qual seria a tua verdade sobre esse assunto?”, “Se conseguisses ver a situação do ponto de vista do teu colega, como seria?”, “Entendi que não gostas da escola. E o que poderia acontecer que te fizesse gostar mais da escola? O que poderia acontecer na escola que te deixaria mais feliz, fazendo com que tu realmente gostasses de lá estar?”.

Depois de abrir a POSSIBILIDADE para a criança/jovem dar um primeiro passo na verbalização do seu desejo mais profundo, será mais fácil para o adulto entender qual a dor ou o incómodo que está por detrás desse desejo e dirigir a conversa para uma solução que integre e inclua essa necessidade, agora revelada. A partir daqui, o adulto continua a abordagem através de perguntas que tragam ainda mais clareza para a situação e que possibilitem uma saída para aquilo que pode ser feito AGORA para que a criança/jovem vivencie o que realmente deseja.

A mudança começa em cada um de nós, e como adultos, as mudanças das nossas crianças e jovens também começam em nós! E talvez a arte de perguntar seja afinal a arte de permitir e ajudar os pequenos a encontrarem as suas próprias respostas!

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 FONTE: Instituto de Coaching Infanto-Juvenil, Método Core Kidcoaching, Método Growcoaching